O SINDICATO

HISTÓRICO

Com a necessidade da criação de um órgão com representatividade sindical para defender, coordenar e proteger interesses individuais e coletivos da atividade profissional dos policiais federais e servidores administrativos surge, em 22 de agosto de 1989, o Sindicato dos Servidores Públicos Civis do Departamento de Polícia Federal no Estado de São Paulo (SINDPOLF/ SP).
Desde então, policiais e servidores do Estado contam com um órgão competente e coeso nas reivindicações sociais e trabalhistas, que tem realizado, desde sua fundação, ações que permitem a melhoria contínua das condições de trabalho no Departamento de Polícia Federal, colaborando com o fortalecimento da instituição e realizando as transformações que a categoria profissional deseja e a sociedade necessita.
O SINDPOLF é o único e legítimo representante no Estado de São Paulo de toda a Carreira Policial Federal, composta pelos cargos de Agente, Escrivão, Papiloscopista, Delegado e Perito, bem como pelos servidores administrativos do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal.

Policiais Federais relatam suas experiências como voluntários em trabalhos sociais

Muito além das investigações, policiais federais dedicam seu tempo, conhecimento e experiências em atividades de prevenção à violência em organizações sociais e até mesmo dentro do próprio Departamento de Polícia Federal.  São heróis que conseguem transformar pessoas e resgatar valores de cidadania.  

Conheçam três desses colegas que ajudam a fazer uma grande diferença: Antônio Emídio Ferreira Neto, Cláudio Ribeiro Prates e José Luiz Fonseca.

Emídio dá palestras pela PF. Foto: arquivo pessoal
Emídio dá palestras pela PF. Foto: Arquivo Pessoal

O escrivão de Polícia Federal Antônio Emídio Ferreira Neto esteve lotado por mais de sete anos no Mato Grosso. Em 1995 foi removido para a Academia Nacional de Polícia, e lá percebeu que não se realizavam palestras sobre uso indevido de drogas. Foi aí que seu trabalho começou e há mais de 22 anos realiza palestras para diversas instituições. “É um sentimento indescritível, tendo em vista que você tem a possibilidade de, com suas informações, mudar o destino de uma criança, de um adolescente, a atitude de um pai e fazer a diferença na vida das pessoas. Quando termino uma apresentação e percebo o brilho nos olhos dos participantes, penso: É O MEU SALÁRIO MORAL”, nos conta Emídio. 

Para o policial, a maior dificuldade é acolher todas as demandas; “ são várias escolas que solicitam palestras e atender a todas é quase impossível. Esclarecendo que as solicitações partem de diversas instituições, não só de ensino, tais como: igrejas, centros espíritas, associações, clínicas e entidades de recuperação”. “Esse voluntarismo vem em primeiro lugar com o sentimento de amor ao próximo. Há ainda um compromisso legal e ético da instituição Policia Federal com o povo brasileiro. Pois, nas atribuições constitucionais da Polícia Federal consta a repressão e a prevenção. A dedicação visa, obviamente, o combate à violência que é uma das consequências mais maléficas das drogas. Assim, de acordo com os registros, não há como dissociar o uso indevido das drogas e a violência”, disse o agente.

Emídio esclarece que nos últimos quatro anos a PF tem intensificado o trabalho de prevenção com a criação dos GPREDS - Grupos Grupo de Prevenção ao Uso Indevido de Drogas em quase todos os Estados. Vários colegas da Polícia Federal no Brasil aforam realizam esse trabalho voluntário. “São verdadeiros heróis anônimos”, disse. O escrivão também agradece à CGPRE - Coordenação Geral de Prevenção e Repressão a Entorpecentes e à Academia Nacional de Polícia, pois sempre teve o apoio necessário.

CAJAN 

O agente Cláudio Prates, foi eleito vereador na cidade de Montes Claros e é atualmente presidente da Câmara Municipal. Foi por duas vezes o vereador mais votado no município que tem 500 mil habitantes e também é hoje como suplente de deputado estadual, pois conseguiu quase 30 mil votos em 2014.  Mas qual é o motivo de tantas pessoas votarem no agente da PF? Para Prates, seu trabalho social. Prates coordena o projeto “Cajan” que existe há mais de 15 anos, atendendo adolescentes e suas famílias em situação de toxicodependência ou vulnerabilidade social.  “Meu papel é como que um maestro de uma orquestra., sou responsável por conseguir parceiros e recursos para manutenção e sobrevivência do projeto”, explica. “Acredito que as dificuldades são as mesmas de todas as instituições: falta de ajuda do poder público e da sociedade para manutenção do projeto. A sociedade simpatiza e aplaude a importante atuação do CAJAN, mas são poucos os que fato se comprometem e ajudam na sustentabilidade do projeto”, revelou o agente. O policial, agora vereador, também atua com teatro para jovens e está em fase de um projeto chamado Casa Arte: espaço destinado para cultura, artes e oficinas. Seu trabalho se estende a uma casa de acolhida para adolescentes e familiares carentes, que atende em média 40 jovens.

CRÊ-SER

José Luiz Fonseca atua na Organização Não-Governamental, Crê-Ser, sediada em São Paulo. A ONG tem como missão agregar aqueles que, por algum motivo, não estejam integrados na sociedade. Para isso desenvolvem projetos direcionados a crianças, adolescentes, adultos, idosos e familiares.  São 10 unidades de atendimento com creches, centro de convivência para idosos, trabalho de recuperação de menores infratores e atendimento à mulheres e crianças vítimas de violência. “O sentimento é de realização. A satisfação que se sente em executar um trabalho desta natureza não tem preço. A noção de se estar fazendo algo em prol de alguém, de poder contribuir, de alguma forma, ou seja, passando um pouco do seu conhecimento, da sua experiência de vida, de orientação e auxílio, isso acaba tendo uma ação reversa. Você tem a sensação de estar ajudando o próximo, mas também, sobretudo, estar ajudando a si próprio. (...). Se aprende muito com as situações e com as pessoas do projeto e principalmente, com os assistidos por ele. São histórias fantásticas de vida, de dor e superação. Isso é crescimento espiritual. É a noção de que estamos aqui para crescermos. É sabedoria”, conta Luiz Fonseca.

Somos Policiais

Perguntados se as entidades e as pessoas as quais assistiam, sabiam que eles eram policiais federais, todos disseram que sim. Emídio e José Luiz narram as dificuldades iniciais e Prates afirma que a Instituição garante credibilidade para o desenvolvimento de trabalhos desta natureza.

“Nós participamos das palestras oficialmente como policiais. Normalmente no início eles ficam desconfiados, mas procuramos quebrar a barreira que há entre a polícia e a sociedade. É curioso que nas palestras destinadas aos pais, costumeiramente ao final os genitores se aproximam de forma mais reservada, nos fazem perguntas e tiram dúvidas sobre seus filhos. Solicitam ajuda, quando necessário, sem maiores constrangimentos”, comentou Emídio.

“Tem que ser assim. De forma transparente. Se você deseja angariar a confiança e a credibilidade no teu trabalho, tem que ter uma postura de transparência e honestidade. Mas, no começo, muito me questionava até que ponto essa transparência seria favorável. Em um dos nossos projetos, trabalhamos com menores infratores submetidos às medidas sócio-educativas do judiciário. São garotos vindos do tráfico. O fato de eu estar ali e saberem que sou policial se tornou uma barreira no convívio com eles. Aí você tem que desenvolver habilidades no relacionamento e, sobretudo, quebrar paradigmas. Estamos aqui também para isso. Quebrar os preconceitos. Abrir as mentes e mostrar novos horizontes e possibilidades. Que estamos ali para ajudá-los a encontrar novos caminhos”, argumentou Luiz Fonseca.

A experiência policial também influenciou nos trabalhos voluntários como explicam:

“Fui lotado muito tempo na DRE – Delegacia de Repressão à Entorpecentes participei de várias operações. Percebi desde então os malefícios e consequências nefastas na vida das pessoas e de toda sociedade brasileira”, comentou Emídio

“O trabalho como policial federal potencializou os trabalhos do Projeto Social CAJAN, através das palestras (mais de 7 mil ao longo de 15 anos). Trouxe mais visibilidade e respeito da comunidade para o Projeto. Ademais, por causa do projeto, represento o Departamento de Polícia Federal há mais de 15 anos junto ao COMAD – Conselho Municipal sobre Drogas do município de Montes Claros/MG. Tal projeto foi tão destacado e reconhecido pela sociedade que me levou a ser eleito, por duas vezes o vereador mais votado do município de Montes Claros”, contou Prates.

“Entendo que o fato de ser policial me dá uma visão mais ampla e crítica da situação em que vive o cidadão das comunidades mais vulneráveis, exemplo da região onde a ONG atua. São visões que acabam se completando, possibilitando-me uma compreensão diferenciada da abordagem e da conduta diante dos problemas que se apresentam”, argumento Luiz Fonseca.

E a família?

Quando uma pessoa se dedica a um trabalho voluntário ela sacrifica um outro lado. Neste caso, os policiais deixam de ficar ao lado de seus entes queridos em momentos de lazer e até de ouvi-los, para uma atividade extra e não remunerada. Como as famílias reagem? Luiz Fonseca considera sua família motivadora; “Tenho recebido total apoio de todos. Acaba funcionando como um fator de motivação fundamental, principalmente naqueles momentos em que você depara com as dificuldades. Aqueles momentos que quase fazem você desistir. Mas aí vem o incentivo, aquela força para continuar na luta constante”.

A família de Emídio sente “satisfação e orgulho” de seu trabalho voluntário: “Inclusive quando há possibilidade, minha família participa diretamente das palestras e apresentações. É interessante demonstrar que a família deve se manter unida e estruturada. Eu faço questão de que minha família participe”.

A família de Cláudio Prates também o apoia: “Minha família admira e apoia o projeto social, e também ajuda na realização do mesmo. Apesar de reconhecer toda a importância do trabalho do policial federal, na persecução penal e no combate ao crime, o trabalho que mais me realiza são as palestras de prevenção às drogas e outros temas em escolas, igrejas, instituições e outros locais da comunidade”

 Palavras para outros colegas

 Os três incentivam que mais policiais participem de atividades sociais. O que eles diriam aos colegas?

“Diria que o trabalho social e voluntário complementa as atividades laborais do policial e traz realização pessoal a quem participa, e acabam por ajudá-lo a se sentir mais realizado, na medida em que colabora para a construção de uma sociedade de paz, mais justa e igualitária. Fazer o bem faz bem! ”, argumentou Cláudio Prates

“Sem dúvida nenhuma é gratificante, É uma experiência de muita riqueza interior, de crescimento espiritual. Pois como diz nossa mentora, a fundadora da nossa associação - é muito bom estar em condição de se poder ajudar”, explicou José Luiz Fonseca

“Além de contribuir e fazer cumprir com uma determinação legal imposta à Polícia Federal é, sobretudo, uma satisfação pessoal, numa demonstração de desprendimento, tendo em vista que não há qualquer retribuição financeira, e também um gesto indubitável de amor ao próximo. POIS, UMA NAÇÃO QUE PERDE SEUS JOVENS PARA AS DROGAS, PERDE PARTE DE SEU PRÓPRIO FUTURO”, completou Antonio Emídio Ferreira Neto.